Como homologar fornecedor de cintas?

Muitos usuários, coordenadores, supervisores, gerentes e até diretores de diversas áreas (engenharia, rigging, segurança), em especial, os colaboradores dos setores de compras, nos questionam como se deve proceder para fazer a devida homologação de fornecedores de materiais para movimentação de cargas.

Longe de querer questionar os processos de seleção de fornecedores de cada empresa, este artigo apenas explora a nossa visão e experiência em auditorias de homologação que já passamos.

Lembrando que o escopo em questão é: desenvolvimento, fabricação e comercialização de cintas têxteis para movimentação (elevação ou amarração) de cargas.

Abordaremos a questão por três frentes: primeiramente a Certificação — melhor opção pois elimina a necessidade das duas próximas –, auditoria no fornecedor (presencial) ou a verificação remota.

Certificação nas normas técnicas

Esta é a melhor opção, como citado nesta matéria: Normas técnicas são obrigatórias?

“É crescente a busca por processos de certificação que possibilitem comprovar que produtos e serviços seguem rigorosamente as Normas Técnicas. Além de uma garantia para o consumidor, os processos de certificação têm servido como instrumento de marketing e acabam gerando o que se convencionou denominar de ‘círculo virtuoso’”

Por que afirmamos ser a melhor opção? Veja:

  • Os profissionais (auditores) da ABNT ou outra certificadora independente, já irão fazer a auditoria nos requisitos de sistema de gestão que as empresas normalmente conduzem em seus fornecedores;
  • Além disto, a certificadora verifica também as variáveis mais técnicas, referente à norma em questão (informadas abaixo na seção “Verificação remota”);
  • São também conduzidos testes aleatórios (para cada norma aplicável são selecionadas diversas amostras) verificando na hora (durante a auditoria) se as cintas estão alcançando a devida CMR;
  • Tudo isto, sem custo adicional ao cliente: se você estiver adquirindo produtos de uma empresa certificada na norma técnica aplicável, você estará automaticamente homologando o fornecedor, tanto nas questões de sistema de gestão quanto em todas as questões técnicas e de rastreabilidade.

Por isso reafirmamos que esta é a melhor opção, considerando o custo-benefício! Seria como uma terceirização do seu processo de homologação: se a ABNT confia nos produtos desta empresa, eu posso confiar também!

Isto já acontece para uma série de normas técnicas, onde o INMETRO lança portarias que determinam a obrigatoriedade desta homologação. Porém, para cintas têxteis, por exemplo, não temos esta obrigação (nossa certificação é voluntária!).

Caso todos consumidores passassem a exigir este tipo de certificação, todo mercado ganharia de alguma forma (círculo virtuoso): todos fabricantes teriam que elevar seu padrão de qualidade.

Caminhando desta maneira, no futuro poderemos afirmar que todos os materiais de movimentação de cargas no Brasil atendem de fato às exigências de suas normas.

  • Outra vantagem de optar por uma empresa como a Tecnotextil, que contenha um sistema certificado nas suas normas técnicas aplicáveis:
    • Como somos certificados nas normas técnicas, você pode recorrer diretamente ao INMETRO no e-mail saccgcre@inmetro.gov.br em caso de reclamações;
    • Porém lembramos que qualquer dúvida, sugestão ou reclamação pode ser enviada diretamente na guia de Contato do site ou mesmo para o e-mail sac@tecnotextil.com.br;
    • Nosso sistema de atendimento ao consumidor atende a todos requisitos do Código de Defesa do Consumidor, bem como as orientações da norma brasileira NBR ISO 10002 – Gestão da Qualidade – Satisfação do Cliente – Diretrizes para o tratamento de reclamações nas organizações.

Auditoria no fornecedor (presencial)

Sem dúvida o melhor método (mais seguro para sua empresa), porém também o mais oneroso: despesas com transporte, hospedagem e, principalmente, o custo homem/hora dos auditores.

Além de conhecer o sistema de gestão da empresa e todos seus controles de rastreabilidade exigidos pelas normas técnicas, você conhecerá também a infraestrutura da empresa, quadro de pessoal etc.

Reiteramos: conhecer o seu fornecedor “ao vivo” é sempre a melhor recomendação!

A principal orientação para as empresas que buscam auditar fabricantes de cintas têxteis é: conhecer sobre o assunto.

  • As normas para cintas têxteis até o momento desta publicação, são:
  • Outras dicas para os auditores:
    • Caso o fabricante faça os seus ensaios (testes de ruptura) internamente, verifique também se o laboratório atende aos requisitos da ABNT NBR ISO/IEC 17025 – Requisitos gerais para a competência de laboratórios de ensaio e calibração;
    • Não se esqueça de verificar a rastreabilidade: você tem que garantir que a cinta que sua empresa irá comprar no dia-a-dia, será de igual qualidade àquela que foi apresentada durante o ensaio de validação (teste de ruptura);
    • Algumas características devem ser observadas:
      • Deve haver um tipo de construção para cada modelo de cinta e consequentes ensaios de comprovação para cada modelo;
      • Exceto o comprimento da cinta (que não impacta nos resultados), todas as demais variáveis impactam diretamente e devem ser verificadas;
      • Atenção em especial às cintas desenvolvidas: como está o projeto?
    • Outros questionamentos a serem abordados:
      • Existem Procedimentos, Instruções de Trabalho, Padrões ou qualquer tipo de informação documentada determinando estas variáveis de construção?
      • Como é o processo de revisão e melhoria destas informações documentadas? Por exemplo: novas edições de Padrões (controle de documentos) abrem a necessidade de novos testes de validação?
      • Existe um processo de inspeção e liberação final, para garantir que estas variáveis estão seguindo de acordo?
      • Os profissionais são devidamente habilitados e treinados nas diversas funções, em especial o departamento de Controle de Qualidade?
      • A empresa tem uma política de tratamento a reclamações?
      • Como são os processos de tratamento de não-conformidades, monitoramento e calibração de equipamentos de medição, controle de registros, infraestrutura, planejamento, análise crítica e realização do produto, projeto e desenvolvimento, compras, propriedade do cliente, identificação e rastreabilidade?
      • Além de todos estes requisitos habituais, devem ser verificados, é claro, os requisitos das normas técnicas que podem ser compreendidos no próximo tópico.

Verificação remota (requisitos das normas)

Quando não é possível fazer uma auditoria presencial, se engana aquele que pensa que não é possível fazer uma “auditoria remota” do fabricante.

Dividimos esta parte em 3 subseções:

Requisitos do Fabricante

Primeiramente você deve atestar que o fornecedor é uma empresa devidamente habilitada na fabricação de cintas: somos uma indústria têxtil do setor de movimentação de cargas.

Pela não previsão deste tipo de industrialização pelo Estado brasileiro, após diversas consultas aos órgãos competentes (Receita Federal, CONCLA) estabelecemos a nossa principal classificação de atividade econômica (CNAE) como:

  • Seção: C – INDÚSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO
  • Divisão: 13 – FABRICAÇÃO DE PRODUTOS TÊXTEIS
    • Grupo: 135 – FABRICAÇÃO DE ARTEFATOS TÊXTEIS, EXCETO VESTUÁRIO
    • Classe: 1359-6 – FABRICAÇÃO DE OUTROS PRODUTOS TÊXTEIS NÃO ESPECIFICADOS ANTERIORMENTE
  • CNAE: 1359-6/00

Como esta questão é passível de interpretações, considere ao menos o início do CNAE (13), pois esta informação já valida que ao menos esta empresa declara ser do ramo têxtil, aos entes governamentais.

Ao verificar que o fabricante não possui o devido CNAE (seja principal ou mesmo secundário) vinculado em seu CNPJ, você já deve descartar este fornecedor.

Esta verificação pode ser feita facilmente na “Emissão de Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral”, acessível no site da Receita Federal em:

http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/cnpj/cnpjreva/cnpjreva_solicitacao.asp

Requisitos do Produto (etiqueta e certificado)

Ao receber sua cinta têxtil verifique se a etiqueta de identificação e a declaração de conformidade (certificado) contém todos os requisitos exigidos pelas normas.

  • A etiqueta deve informar:
    • Matéria-prima, de acordo com a cor da etiqueta:
      • Poliéster (PES): etiqueta azul;
      • Poliamida (PA) popularmente conhecida como Nylon: etiqueta verde;
      • Polipropileno (PP) apenas para cintas de elevação: etiqueta marrom;
    • Comprimento: no caso de amarração, a etiqueta deve estar contida nas duas partes e informar os dois comprimentos (parte móvel e parte fixa);
    • Identificação do fabricante ou importador, com nº de CNPJ;
    • Código de rastreabilidade que permita identificar o histórico de produção:
      • Por exemplo: se você recebeu duas cintas distintas, com mesmo código de rastreabilidade, rejeite!
    • Modelo da cinta;
    • Cargas de trabalho (CMT e CMTEs ) aplicáveis para o modelo da cinta;
    • Data de fabricação;
    • Número da peça em relação ao lote: normalmente acompanha o código de rastreabilidade;
      • Exemplo: para o código de rastreabilidade OF 0117000001 de 10 cintas 22060Z, cada uma deve ter “OF 0117000001 1/10“, “OF 0117000001 2/10“, e assim por diante até “OF 0117000001 10/10
    • Número da norma;
    • Fator de segurança;
    • Apenas para cintas de Amarração, adicionar:
      • Força de Tensão Nominal (daN) e Força de Tensão Manual (em kg), essenciais para o cálculo de amarração;
      • Avisos escritos ou em desenho: “proibido para içamento de cargas”, “proibido uso de alavanca no punho da catraca móvel” e “proibido modificar ou alterar as características originais deste produto”;
  • Já para o certificado, todos os dados da etiqueta devem também estar informados, bem como adicionalmente:
    • Nome, símbolo ou marca do fabricante;
    • Endereço completo;
    • Temperatura limite de utilização;
    • Orientações sobre cuidados quanto a cantos vivos;
    • Referências de ensaios.

Se algum destes itens faltar ou mesmo se estiver contraditório, você deve rejeitar imediatamente este material ou mesmo recusar seu recebimento.

Rastreabilidade

Sobre “rastreabilidade” citamos novamente o colocado anteriormente na auditoria: você deve se certificar que aquela referência de ensaio no certificado (último tópico da subseção anterior) é válida.

Principalmente nos primeiros fornecimentos, exija de seu fornecedor o relatório de ensaio daquele número/referência informado e verifique se o produto ensaiado é do mesmo modelo que aquele que você adquiriu (informado no certificado).

Conclusão

Seja por uma auditoria ou através de uma homologação “à distância”, verificando a rastreabilidade de todas informações prestadas pelo seu fornecedor, lembre-se: itens de movimentação de carga são produtos de alto risco!

Independente da forma, a sua empresa deve estabelecer um processo de homologação de fornecedores de materiais críticos! Cintas, ganchos, anéis de carga, talhas, correntes, manilhas, cabos de aço e quaisquer outros materiais de movimentação de cargas devem ter fornecedores homologados na sua empresa.

Não simplesmente compre “de qualquer um” quando o assunto é segurança. Lembre-se: o barato pode sair caro e, infelizmente, no Brasil ainda temos muito espaço para fabricantes que não deveriam existir, pois seus produtos colocam em risco tanto o patrimônio, como a vida das pessoas envolvidas na movimentação de cargas.

A homologação de fornecedores garante que a sua empresa irá adquirir produtos apenas de fabricantes idôneos, que prestam serviços e ofertam produtos que atendem a requisitos mínimos de segurança.

Para finalizar, vale novamente citar e recomendar a leitura deste outro artigo: Normas técnicas são obrigatórias?


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